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Quando a maré enchia, íamos pra casa de Seu João; la tinha piano e sua filha ( me falha o nome ) tocava pra eu cantar.Ah...era uma canção estranha pra mim, eu nunca tinha escutado no radio,
"adeus sarita,
vou partir para fronteira,
levando minha boiada,
para vender la na feira,
no dia do casamento,
eu vou comprar,
mais uma linda fazenda
e contigo me casar"
E, eu gostava por causa do solo de piano que tinha, lindo...
Como falei, oiviamos radio e mainha cantava sempre na cozinha.Aprendi cantar musicas de Orlando Silva, Nelson gonçalves, Miltinho, Vicente Celestino, Angela Maria, Marlene, dalva de Oliveira, .Gostava mais de cantar as musicas de Orlando Silva e Nelson Gonçalves; eram romanticas, oui seja, pra mim musica triste, sabia la eu o que era romantico?
Naquele tempo, cantavamos muito "quadras" nas rodas e a gente era quem criava as quadras com rima e tudo; nas festas de São João eu sempre cantava e era a noiva, acho que é por isso que não casei.
morei em Nazaré até os 11 anos.Via meu avô reger a Filarmônica erato Nazarena ( que ainda existe) e o via compor escrevendo musica na pauta numa rapidez como se fossem letras.Quando eu perguntava: -Vô, porque vc escreve assim diferente? ao que ele respondia:-" um dia voce também escreverá assim", eram notas na pauta na verdade, não letras do nosso alfabeto. Me lembro disso com muita saudade e de como eu gostava de ve-lo assim: Assoviando e escrevendo.
Hoje, com a internet ja ouvi e vi videos de muitas destas cancões antigas que eu cantava e o melhor de tudo, cantam ainda.
Nazaré das farinhas é uma cidade no recôncavo da Bahia, famosa pela Feira de Caxixis, suas enxentes e a melhor farinha do Brasil. Fica pertinho da ilha de Itaparica. Na música Vapor Barato de Wali saillomão, ele se refere ao Vapor ( navio que fazia o percurso são Roque -Salvador) As pessoas saiam de Nazaré de trem, tomava uma balsa e ia ate s Roque pegar o navio.
Eu fiz esse percurso!!!!!!!
Ah... as enxentes...não posso deixar de falar delas.
Morávamos em frente ao rio jaguaribe: havia a rua estreita , o cais por onde passava a ferrovia e depois escadas de pedras davam acesso ao rio.
Na época das cheias, os moradores começavam a observar a cheia pelos degraus da escada; contando ; contando assim: faltam 10 degraus! faltam oito degraus! e só quando faltava um degrau é que tinham coragem de abandonar suas casas. Meu pai, só saia quando a água
ja invadia a cidade, era muita correnteza e água lamacenta; seus amigos nos carregavam nas costas e íamos pra o alto da cidade, pra casa do Sr João Santana.Meu pai, minha mãe e nós , 6 filhos pequenos , de 1, , 3, 4, 5 e 6 anos.
quando a maré baixava, voltávamos pra mesma casa depois de tirar toda lama e limpar o que sobrava. E, aguardar a proxima enxente
Estas fotos são novas , da ultima enchente ha mais ou menos dois anos.


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